
A claridade começou a invadir o apartamento. A começar pela sala, se arrastou pelo corredor até chegar ao quarto. Um raio de sol atravessou a janela e foi ao encontro dos olhos semicerrados da mulher. Bastaram poucos instantes para que as pálpebras se apertassem e ela despertasse de vez.
Ergueu-se, lentamente, do colchão. Ainda estava nua, ainda carregava no corpo pistas salgadas de suor. Resultado da noite que havia passado. Esticou o corpo e soltou um leve som de cansaço.
Os belos olhos verdes, ainda mais verdes pela vermelhidão da íris, já estavam abertos embora ainda sonolentos.
Ainda nua ela levantou-se e vestiu uma camisola de seda, meio rosa, bem clara. Abriu os vidros e as janelas. O vento afagou-lhe o rosto. O sol mal tinha nascido. Da sacada via-se toda a rua, que já começava a apresentar considerável movimento.
Resolveu ir até a cozinha. Em tal momento o apartamento já estava completamente iluminado.
Uma dor singela a incomodava, uma dorzinha de cabeça. Uma ressaca moderada. Começou a passar o café, na cafeteira.
As lembranças da noite começaram a clarear. Tudo tinha começado com um jantar, lá pelas oito e tanto. Nada espetacular, mas de extremo bom gosto, regado a vinho tinto. Depois um filme, programa caseiro mesmo, acompanhado por sorvete e licor, emendado por um café. Conversas despretensiosas, risos e champagne. Olhares quietos. O resto é óbvio
O café passou, o aroma revigorante tomou o ar. Ela pegou sua xícara, e tomou amargo mesmo. Mas tomou com gosto.
Parou de repente sem pensar em nada ao certo. Ficou ali, de xícara em mãos, parada... Paralisada.
Passos no corredor faziam-se ouvir. Então uma mão lhe aperta a cintura e toca seu ventre. Uma respiração quente atrás do pescoço. Suas costas contra o calor do peito dele. Enfim um beijo na nuca.
Ela suspirou baixinho. E um cochicho lhe diz:
-Bom dia...
-Lucas M.
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